• Thayane Gomes

Conheça sobre a Batalha de Azincourt e a Guerra dos Cem Anos


Carlos V nomeia Bertrand Du Guesclin , condestável da França

O ano de 1364 marcou o inicio da segunda parte da Guerra dos Cem Anos. Em Londres, logo após a morte de João II, na data de 1364, iniciaram-se novamente as hostilidades entre os ingleses e franceses. Carlos V, filho de João II, que sucedeu o trono francês se negou a respeitar o tratado de Brétigny assinado pelo seu pai, tanto em relação as terras a qual cedera a Inglaterra quanto ao resgate que restará. Sob o comando de Carlos V os franceses, graças a unificação de seus exércitos, recuperaram boa parte do território meridional do Reino da França, as batalhas transcenderam as fronteiras do país chegando ao reino de Castela, com a França apoiando o candidato à coroa, Dom Henrique, contra Dom Pedro aliado da Inglaterra.


Neste período havia um triunfante destaque a figura do condestável (importante cargo militar) francês Bertrand Du Guesclin, cavaleiro valente e notável militar que organizou as famosas "campanhas brancas" - um sistema de guerrilha com a qual conseguiu vencer algumas batalhas.


Apesar de sua notória importância militar, ocorreu um período de trégua na guerra que durou entre os anos de (1389–1415) devido a fortes problemas internos, tanto na Inglaterra quando na França. Na Inglaterra, Eduardo III havia morrido e seu sucessor, Ricardo II, mostrava-se incapaz logo sendo sucedido por Henrique IV plantando a semente da guerra das rosas; já a França, por sua vez, encontrava-se literalmente nas mãos de um rei louco, Carlos VI.


  • Para saber mais do inicio desse conflito histórico clique aqui.


A Batalha de Azincourt


Uma das batalhas mais decisivas da Guerra dos Cem Anos foi a batalha de Azincourt ou Agincourt, que ganhou forma pelas mãos do famoso escritor britânico Bernard Cornwell, em um épico livro que leva o nome da batalha.


Ela ocorreu em 25 de outubro de 1415, no norte da França, durante o quarto período da guerra. A batalha ocorreu perto da cidade de Calais onde os exércitos do rei Henrique V da Inglaterra enfrentou as forças do rei Carlos VI. Novamente, o posicionamento do exército tornou-se fator importante na vitória inglesa, o terreno era péssimo e irregular, cercado dos dois lados por floresta - algo que inviabilizava manobras. Com relação ao tamanho das forças, podemos perceber que os números se divergem, cada fonte revela números irregulares, porém, podemos dizer que os ingleses teriam aproximadamente 6.000 arqueiros, 1.500 soldados de infantaria pesada e pelo menos 2.000 homens na cavalaria. Já os franceses tinham entre 12.000 e 15.000 homens (um-terço à cavalo).


Os relatos da época sugerem que os ingleses estivessem em desvantagem de 4 soldados franceses para 1 inglês. Do lado francês havia vários nobres, pois, sabendo que o rei Henrique V estava presente queriam capturá-lo para, quem sabe, conseguir um resgate (era comum que os reis liderasse as batalhas). Os franceses eram liderados pelo condestável Carlos d'Albret, pois o rei Carlos VI estava impossibilitado de liderar devido a sua debilidade mental.


Os franceses partiram para ofensiva enviando a cavalaria contra os arqueiros ingleses, o terreno ruim e cheio de lama expôs a cavalaria aos arcos ingleses resultando uma grande baixa nas forças francesas e fazendo prisioneiros, as fontes são controversas a partir desse ponto, pois acredita-se que o rei Henrique V mandou matar todos os prisioneiros, já outras sugerem que teria feito isso como medo de revolta - pois eram mais prisioneiros do que soldados ingleses -, outras apontam que teria sido por falta de mantimentos para todos.


O historiador John Keegan sugere que a ordem foi dada, não por fins práticos, mas para aterrorizar os franceses.

Seja como for, o exército francês recuou ao anoitecer do mesmo dia, não se sabe ao certo quantas pessoas morreram, entretanto, estimasse que três duques, seis condes e mais de 90 nobres foram mortos durante a batalha, abalando consideravelmente a nobreza francesa.


Batalha de Azincourt em miniatura do século XV

Segundo uma lenda ou invenção muito posterior, os franceses se engrandeciam de sua superioridade numérica e ameaçavam os arqueiros de cortar o dedo médio dos seus inimigos (essencial para arqueiros armarem seus arcos). Entretanto, quando os franceses foram aprisionados, os ingleses mostravam seus dedos e diziam: "Olha, os meus dedos estão aqui". É provável que esse gesto tenha dado origem ao ato considerado por muitos obsceno: o de "mostrar o dedo médio". Nas versões francesa/continental, o apenas um dedo, e na inglesa dois dedos.


Tratado Troyes


Em 1420, depois de um cerco feito por Henrique V a Paris, foi assinado o tratado Troyes. Nele, o rei pôs fim às esperanças francesas de ajuda. As negociações levaram cerca de seis meses, tendo como objetivo o fim do conflito que havia se iniciado em 1337. O tratado deserdava também o delfim, futuro Carlos VII de França, e nomeava o próprio Henrique, ou os seus descendentes, como sucessores do trono francês. Em compensação, Carlos VI poderia manter-se no trono até à morte. Para firmar o acordo, foi negociado o casamento de Henrique com a princesa Catarina de Valois, celebrado a 2 de junho do mesmo ano.


No ano de 1422, morreram tanto Carlos VI quanto Henrique V, o que faz com que as duas coroas (a da França e da Inglaterra) fossem herdados por Henrique VI, que ainda era uma criança recém nascida. Dois barões ingleses encarregaram-se da regência: o Duque de Badford se ocupou da França e o Duque de Gloucester passou a governar a Inglaterra. Carlos VII, o Delfim, herdou o trono de seu pai, assim a França encontrava-se dividida em dois reinos: nos territórios do norte, governava o rei inglês, apoiado pelos borguinhões (Facção da casa de Borgonha); nos poucos territórios do sul, reinava o francês Carlos VII, com o apoio dos armagnacs (Facção da casa dos orleãs).



Mapa da França pós tratado de Troyes

Porém alguns nobres franceses não reconheciam Carlos VII, pois a cidade de Remis onde os reis franceses eram tradicionalmente coroados estava sob domínio dos ingleses, neste contexto que surge a heroína Joana d'Arc, pois com sua ajuda as tropas francesas tomaram a cidade de Remis, e o Delfim Carlos VII foi enfim coroado rei da França, reacendendo as esperanças dos franceses de se libertarem do domínio inglês.

Thayane Gomes Potiguar, 22 anos, Graduada em História.

Uma amante da música, literatura e animais que possui como linhas de pesquisas favoritas: mitologias e feminismo no século XX.



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