A instabilidade da Natureza e a suposta imunidade humana

Uma leitura de: As 100 maiores catástrofes da História


Capa do livro "as 100 maiores catástrofes da história".

O livro da imagem representada aí em cima não se trata de uma leitura acadêmica, nem de uma leitura obrigatória - no sentindo estrito da palavra -, não porque não é obra de um historiador ou historiadora, mas porque sua leitura não se encarrega de pedir licenças teóricas a cada três linhas (e nisso, nós historiadores, temos em muito que aprender).


Então porque taxar esse livro como uma "leitura obrigatória", então, resolvi compartilhar a leitura dele porque mesmo sendo direcionado ao público acadêmico ele pode em muito contribuir para nossa formação.


Não a partir da leitura propriamente dita, mas, das reflexões que podemos fazer a partir dela. Ao longo do livro é visível um posicionamento de instabilidade da natureza e ineficiência humana perante ao poder natural. Não há trocas, diálogos, o autor defende um posicionamento fatalista de que não podemos conhecer a natureza - pois, ela sempre irá nos vencer e nos submeter a catástrofe.


Uma das maiores ilusões do homem é achar que podemos dominar a natureza.
[...]
No final, das contas, pouco importa o que o homem faz para controlar os elementos: tudo está nas mãos da natureza.

Como historiador ambiental, tenho diversas criticas ao livro, mas acredito que não é o momento para esses apontamentos. Mais do que isso, sinto que deve haver agora um esforço pessoal em quebrar certos preconceitos acadêmicos.


O primeiro deles é a vã ideia de que apenas textos e livros considerados "acadêmicos", ou seja os que são usualmente escolhidos para a ementa das disciplinas - normalmente escrito por pesquisadores franceses e anglo-saxões tem algo a nos dizer e que outras leituras são dispensáveis. Temos, entretanto, que ter em mente que enciclopédias que propõe a história do mundo em 30 minutos ou a história para aqueles que tem pressa é a história que está sendo consumida fora do palácio acadêmico.


Mesmo sabendo disso, penso: não há como negar, historiadores e historiadoras, somos sem dúvidas aqueles conhecidos como factíveis a mudança, sempre dispostos a quebrar estereótipos e preconceitos historicamente construídos. Mas, nem sempre seguimos o mesmo caminho, nem sempre fazemos aquilo que socialmente nos compete. Ainda, muitos – tolos, desavisados –, pejorativamente situam a natureza como puro objeto inanimado, crentes de uma falsa imunidade humana. Para esses, que acreditam que a história também não pode ser feita a partir de nossas relações com a(s) natureza(s), tenho em mente que preconceitos (acadêmicos) também podem ser historicamente desconstruídos.


O livro em questão é um simples manual, a própria Wikipedia substituiria os artigos escritos e a aquisição do livro - muito pelo fato de que é próprio site uma das principais referências do autor. Mas, para aqueles que não dispensam uma leitura palpável e o sabor de um livro físico é um bom passa-tempo para tempos de quarentena ou para uma leitura domingueira e leve, o livro no geral não se trata de uma leitura daquelas que não deve passar desapercebida em nossa formação - mas, sem dúvida, desperta o olhar de um historiador ou pesquisador que acredite que somos imunes as transformações e virulências da natureza.




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