10 Filmes de História para assistir durante o isolamento

Atualizado: Abr 7

O Máquina dos Tempos separou uma pequena lista de filmes que têm, em si, um alto teor histórico em suas narrativas. Isso, para que você possa aproveitar o isolamento social - sem, é claro, deixar de lado os seus estudos.


1 O retorno de Martin Guerre (1982), Daniel Vigne

A partir desse filme, o Máquina dos Tempos nos transporta para um povoado da França medieval. Um povoado que vive um acontecimento até então insignificante: um de seus membros, Martin Guerre, há anos desaparecido, retorna à comunidade. Entretanto, esse acontecimento, que deveria ser comemorado, logo desperta um drama entre os moradores: aquele é, de fato, Martin Guerre?


2 Em nome de Deus (1988), Clive Donner

Permanecendo na França medieval, o MT nos leva agora para o drama vivido por um dos casais mais conhecidos da história: Abelardo e Heloísa. Na trama, Abelardo é designado para ser tutor da jovem Heloísa, que possui grande aspiração intelectual. Logo, os dois se apaixonam. No entanto, algo impede o romance entre os dois...


3 Hannah Arendt (2012), Margarethe von Trotta

Hanna Arendt (1906-1975) foi uma das mais importantes intelectuais do século XX. Por meio desse filme, o MT nos leva para um momento delicado vivido pela filósofa, de origem judaica, no começo dos anos 1960. Foi quando ela foi designada, como jornalista, para cobrir o julgamento de Adolf Eichmann, um dos mais conhecidos carrascos nazistas. Na ocasião, enquanto todos acusavam Eichmann de ser um “monstro”, a análise que Arendt faz do caso traz uma grande contribuição para o entendimento da condição humana. Para Arendt, que não ignorou as atrocidades cometidas pelo ex-oficial nazista, este não era o “monstro” que muitos bradavam. Para ela, Eichmann foi um homem como qualquer outro, que, em dada circunstância, foi capaz de cometer crimes – algo a que nenhum de nós estamos imunes. A conclusão a que chega Hannah Arendt é a de que cada um de nós não precisa ser um “monstro” para fazer mal ao outro.


4 Bye Bye Brasil (1979), Cacá Diegues

Agora, por meio desse filme bastante divertido, o Máquina dos Tempos embarca com a Caravana Rolidei em uma excursão pela História do Brasil. Particularmente, pelo o Brasil das contradições da década de 1970. Em meio a tantas mudanças que afetavam a sociedade brasileira naquele momento, o filme em questão explora as transformações que estiveram atreladas à disseminação da televisão. Uma mudança que teve seu significado em uma sociedade marcada por grandes desigualdades sociais. E uma mudança que também trouxe à tona uma série de relações, muitas vezes conflituosas, entre tradição e modernidade.


5 Que horas ela volta? (2015), Anna Muylaert

Por meio dessa produção, vamos agora, junto com o MT, para o Brasil da atualidade. Um Brasil que não foge de um traço constante de sua história: a desigualdade social. No entanto, apesar de constante, isso não significa atemporal (a-histórico). Nesse sentido, esse filme trata das permanências – reatualizadas – da “Casa Grande & Senzala” na moderna sociedade brasileira. Permanências que podem ser notadas em mentalidades e práticas que perpassam as relações cotidianas entre uma empregada doméstica e uma típica família brasileira de classe média.


6 O último imperador (1988), Bernardo Bertolucci

Neste filme o diretor Bernardo Bertolucci explora parte da vida de Pu Yi, o último imperador da China - ressaltando os momentos de tensão de seu reinado. Um filme que, sem dúvida, nos impressiona por sua narrativa. Ao longo do filme, relembramos junto com Pu Yi, grande parte de sua infância, de sua juventude pródiga na Cidade Proibida, onde lhe foi proporcionado todo o luxo, mas, infelizmente, protegido do mundo exterior e da complexa situação política que o cercava - por exemplo a Revolução, o Exército Vermelho (pelo qual foi capturado como um criminoso de guerra em 1950).


7 O Fotógrafo de Mauthausen (2018), Mar Targarona

Na história moderna, o mais brutal e cruel período da humanidade, sem dúvidas foi o período Nazista, que assombrou a Alemanha e parte da Europa nas décadas de 1933 a 1945. Nos campos de concentração, prisioneiros de guerra, judeus, negros, homossexuais, ciganos, e muitos outros grupos eram aprisionados e sofriam os horrores praticados pelos nazistas. Para ter algum tipo de controle, os campos registravam todos os prisioneiros que neles chegavam, com um fichamento com fotos. E é nesse contexto que se passa o filme “O Fotógrafo de Mauthausen”. Ao assistirmos esse filme, temos uma imersão triste, e, crua da realidade experienciada nos campos de concentração nazista. Muito em função de que as fotografias apresentadas no filme são reais e realmente foram provas para condenar oficiais do alto escalão nazista, que ordenaram a destruição de todas as possíveis ligações dos oficiais aos crimes cometidos.


8 1917 (2020), Sam Mendes

Quem não gosta de um filme passado em um cenário de guerra, não é mesmo? Porém, 1917, do diretor Sam Mendes, vai além do habitual - ele leva o público às trincheiras da Primeira Guerra Mundia! Poderíamos reduzir suas qualidades as 10 indicações ao Oscar, mas, sua atuação histórica é também muito farta de se analisar, tendo em vista que o diretor, segundo ele mesmo relatou, em um podcast da revista especializada Variety, a história de 1917 se baseia no relato que seu avô, Alfred Mendes, lhe fez na infância.

"Havia uma história que era um fragmento do relato de meu avô, que lutou na Primeira Guerra. Era a história de um mensageiro que tinha um recado para levar. E isso era tudo que podia contar", relembra o diretor.
"Essa história, ou esse fragmento, permaneceu comigo e obviamente eu a ampliei e fiz mudanças enormes, mas a essência é a mesma".

Quer um combo legal?

Então aí vai: Nada tão emocionante quanto uma leitura, sem deixar o folego acabar, de Nada de Novo no Front, de Erich Maria Remarque, com uma sequência de 1917.



9 Hair (1979), Miloš Forman

O conservadorismo que faz um dos planos de fundo para a narrativa de Hair da década de 70 parece que ainda assombra nossos dias. O embate entre o conservadorismo e a contra-cultura em reação à entrada dos EUA na Guerra do Vietnã, em 1965, dá o tom do filme. Podemos apontar Hair como uma expressão do movimento hippie - uma representação que nos faz respirar para pensar em como vivemos em sociedade. Talvez, o potencial do filme seja relacionado ao fato de que ele registra com expressão o modo de vida daqueles jovens, descendentes dos beatniks, que se recusaram a participar da guerra. Fica evidente como seus modos, avessos às regras sociais, assumiam uma atitude política-ideológica, contra a hipocrisia e o consumismo da sociedade estadunidense.


10 Histórias Cruzadas (2012), Tate Taylor

Para finalizar nossa lista nada mais justo do que trazer para os leitores um tema tão importante de ser debatido e questionado: o racismo. Por certo, os EUA muitas vezes utilizam o cinema para purgar equívocos históricos. Observamos em Histórias Cruzadas a luta pelos direitos civis dos negros dos anos 1960 nos EUA, os quais no filme ganha um viés intimista e predominantemente feminino. O filme diferente de outras, flagra o racismo no cotidiano, na cozinha e na sala de jantar, mas não deixa entrar o clamor que naquele momento dominava as ruas. Assim, assassinatos como de um militante negro, Medgar Wiley Evers, em Jackson, e do próprio presidente John F. Kennedy, são mostrados de forma indireta, pela TV.



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